Primeira mulher a comandar a UnB adota gestão moderna e com olhar feminino

Autores: Jéssica Eufrásio e Mariana Niederauer – Correio Braziliense

Antes de chegar à Reitoria, ela ocupou os cargos de vice e de diretora do Instituto de Geociências e, um dos maiores orgulhos: liderou, como decana de Ensino de Graduação, a expansão da universidade.

Os caminhos de Márcia Abrahão se cruzam com os de Brasília em diferentes momentos até que se entrelaçam de maneira definitiva. Aqui nasceram os filhos da primeira mulher escolhida reitora da Universidade de Brasília (UnB), em 2016, e onde sua carreira acadêmica encontrou o ápice.
O pai, militar, veio para a capital um ano depois da inauguração da cidade. Em 10 de novembro de 1964, a mãe deu à luz a Márcia, a caçula, no Rio de Janeiro, e logo depois voltou para o Distrito Federal.
A família ainda morou durante outro período na capital fluminense e, quando Márcia cursava o 2º ano do ensino médio, desembarcou novamente em Brasília. Foi nessa fase que uma primeira e importante influência surgiu. Veio da professora de química Ana Doca o incentivo para cursar geologia na UnB.
Durante a graduação, que concluiu em 1986, foi a vez de a professora de mineralogia e cristalografia do Instituto de Geociências Maria Adusumilli se tornar referência. Daí, a trajetória passou por diversos episódios de superação. Conciliar família, estudos e trabalho foi um deles. Descobriu que estava grávida de Tomás, hoje com 29 anos, um dia antes da seleção do mestrado e, após o nascimento do primogênito, cogitou dedicar a vida à maternidade.
A mãe, Josephina Abrahão Moura, 80, que nunca trabalhou, foi quem a incentivou a não abrir mão da carreira. “Eu não seria feliz, nem a minha família seria feliz”, afirma a reitora, casada há mais de 30 anos com Luiz Ferreira da Veiga. Defendeu a dissertação em 1993 e, em 1998, após o nascimento da caçula, Renata, 26, teve a tese de doutorado aprovada.
“Ela é um exemplo na área administrativa e para as geólogas, porque, inicialmente, essa era uma profissão onde predominavam homens. Ainda hoje existe discriminação”, observa Nilson Botelho, orientador de mestrado e doutorado de Márcia, ambos na área da geologia econômica.
Antes de chegar à Reitoria, ela ocupou os cargos de vice e de diretora do Instituto de Geociências e, um dos maiores orgulhos: liderou, como decana de Ensino de Graduação, a expansão da universidade, por meio do programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).
Ao todo, foram 36 cursos criados nos quatro câmpus — Darcy Ribeiro, Planaltina, Gama e Ceilândia — e vários outros com vagas ampliadas. 

Raízes

Pouco antes da vida universitária, Márcia integrou o time de vôlei da Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB). Em uma das competições, conheceu Maria Tereza Walter. Mais tarde, as duas começaram a jogar do mesmo lado da quadra. Entraram para o time da universidade e representaram a capital federal em disputas nacionais. O companheirismo que ali surgiu se estendeu por toda a vida.
“Márcia sempre foi muito muito alegre. Temos aquele tipo de relação que basta um olhar para que uma saiba o que a outra quer dizer”, destaca a amiga.
A experiência com o esporte ajuda até hoje no trabalho em equipe. É de fácil convivência, tem determinação e coragem, conforme relatos de pessoas próximas, e ainda carrega a bandeira de valorização das mulheres. Dos oito decanatos, cinco são geridos por elas. “Eu sei de tudo que está acontecendo, mas descentralizo demais. Quero que as pessoas que trabalham comigo também se realizem”, garante a reitora.

Fonte:
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/especiais/aniversariodebrasilia2019/2019/04/21/noticia-aniversariobrasilia-2019,750656/primeira-mulher-a-comandar-a-unb-adota-gestao-moderna-e-com-olhar-femi.shtml